Produtos químicos tóxicos associados ao aumento do risco de doença celíaca

Pesquisadores da Escola de Medicina Grossmann da NYU, descobriram que vários produtos químicos tóxicos estão ligados a um risco aumentado de doença celíaca em jovens. A doença celíaca resulta em reações intestinais graves, como inchaço e diarreia, em função da exposição a alimentos que possuem glúten.

Os pesquisadores analisaram amostras de sangue de crianças e adultos jovens que foram diagnosticados com doença celíaca recentemente, comparando esses resultados com outros jovens de dados demográficos comparáveis.

O estudo piloto descobriu que três produtos químicos tóxicos estavam associados a um maior risco de doença celíaca, incluindo:

  1. Diclorodifenildicloroetilenos (DDEs): produtos químicos relacionados a pesticidas
  2. Éteres di-fenil polibromados (PBDEs): substâncias usadas como retardadores de chama em eletrônicos, móveis estofados e colchões
  3. Substâncias perfluoroaclílicas (PFAs): usadas como polímeros e surfactantes para materiais de construção e em produtos como alguns tipos de utensílios de cozinha antiaderentes.

O estudo descobriu que jovens com altos níveis sanguíneos de pesticidas e produtos químicos relacionados (DDEs) tinham duas vezes mais chances de serem diagnosticados com doença celíaca. Nas mulheres, aquelas com exposição acima do normal aos PFAs tinham entre cinco e nove vezes mais probabilidade de desenvolver doença celíaca.

Enquanto isso, em meninos, aqueles com níveis sanguineos mais elevados de PBDEs – produtos químicos retardadores de fogo – tinham o dobro do risco de serem diagnosticados com a doença.

Embora o estudo indubitavelmente mostre uma ligação entre os produtos químicos tóxicos e a doença celíaca, os pesquisadores acreditam que mais estudos são necessários para determinar se os produtos químicos são a causa direta da doença. No entanto, todos esses produtos químicos tóxicos já são conhecidos por interromper os níveis de hormônio em animais e humanos.

A ligação potencial entre esses produtos químicos e outras doenças autoimunes

Esta é a primeira vez que um estudo mostra uma ligação mensurável entre a exposição a produtos químicos tóxicos ambientais e a doença celíaca. De acordo com os pesquisadores, esses resultados levantam a questão de saber se também poderia haver uma ligação entre produtos químicos como pesticidas e retardadores de fogo e outras doenças auto-imunes.

Se estudos futuros encontrarem ligações entre esses produtos químicos e outras doenças autoimunes, isso pode provar que a causa de muitas dessas doenças não é apenas genética, mas também potencialmente ambiental.

Como pais, essas informações devem aumentar ainda mais a consciência sobre os produtos químicos encontrados em sua casa. Evite panelas antiaderentes, móveis que usam retardadores de fogo perigosos e produtos que foram expostos a pesticidas.

Fontes:

ScienceDirect.com
BeyondPesticides.org
PRNewswire.com

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Vírus ‘inofensivo’ desencadeia doença celíaca e intolerância ao glúten

Uma infecção viral pode ser a causa de problemas crônicos como diabetes tipo 1 e EM (encefalomielite miálgica) – e agora os pesquisadores acham que isso provavelmente desencadeia a doença celíaca, uma resposta auto-imune ao glúten.

O reovírus comum – geralmente considerado inofensivo em humanos além de causar diarreia em bebês – na verdade afeta o sistema imunológico e “prepara o terreno para um distúrbio autoimune e para a doença celíaca em particular”, diz Bana Jabri, da Universidade de Chicago.

As pessoas que estão infectadas com o reovírus no primeiro ano de vida, quando o sistema imunológico ainda está amadurecendo, são as mais propensas a desenvolver a doença celíaca, especialmente se forem retiradas da amamentação nos primeiros seis meses e os sólidos que incluem o glúten são apresentados.

Uma pista que Jabri e sua equipe de pesquisa descobriram foi que os celíacos têm níveis muito mais altos de anticorpos contra reovírus, o que significa que sofreram uma infecção em algum momento, e também tinham mais marcadores genéticos que regulam nossa tolerância ao glúten.

A doença celíaca afeta uma em 133 pessoas, mas calcula-se que apenas 17% dos casos são identificados. A doença é uma resposta imune “imprópria” ao glúten, uma proteína encontrada no trigo, no centeio e na cevada, e danifica o revestimento do intestino delgado. Uma dieta rigorosa sem glúten é o único tratamento conhecido.


Referências

(Fonte: Science, 2017; 356 (6333): 44; doi: 10.1126 / science.aah5298)

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