
Ao bloquear a produção de colesterol, as estatinas afetam funções biológicas fundamentais, resultando nos seguintes efeitos adversos principais:
1. Depleção de Coenzima Q10 (CoQ10) e Falha de Energia Celular
- O corpo produz colesterol através da via do mevalonato. As estatinas bloqueiam essa via, mas ao fazê-lo, bloqueiam também a produção de CoQ10, uma molécula essencial para o funcionamento das mitocôndrias (as “baterias” das nossas células).
- Sem CoQ10 suficiente, as células não conseguem produzir energia. Isto afeta principalmente os órgãos que mais exigem energia, resultando numa fadiga profunda e generalizada.
- Paradoxo cardíaco: Como o coração é o músculo que mais energia consome no corpo, a falta de CoQ10 induzida pelas estatinas pode enfraquecer o músculo cardíaco, podendo levar ao desenvolvimento ou agravamento de insuficiência cardíaca congestiva.
2. Danos Musculares Severos (Miopatia e Rabdomiólise)
- É o efeito colateral mais comum reportado pelos pacientes. Envolve dores musculares constantes, fraqueza, cãibras e sensação de peso nos membros.
- Em casos mais graves, as estatinas podem causar rabdomiólise, uma condição fatal em que o tecido muscular se desfaz e liberta proteínas na corrente sanguínea, o que pode sobrecarregar e destruir os rins.
3. Declínio Cognitivo e Problemas Neurológicos
- O cérebro humano contém cerca de 25% de todo o colesterol do corpo, que é vital para a formação de sinapses (comunicação entre os neurónios) e para a bainha de mielina (que protege os nervos).
- O uso de estatinas (especialmente as lipofílicas, que conseguem atravessar a barreira hematoencefálica) priva o cérebro do colesterol necessário, resultando em:
- Perda de memória recente e confusão mental.
- “Névoa mental” (brain fog) e dificuldade de concentração.
- Alterações de humor, irritabilidade, depressão e, em casos extremos, episódios de amnésia global transitória (sintomas que muitas vezes são confundidos com o início de Alzheimer ou demência).
4. Aumento do Risco de Diabetes Tipo 2
- As estatinas interferem com a regulação do açúcar no sangue e aumentam a resistência à insulina.
- Pacientes que tomam estatinas apresentam um risco significativamente maior de desenvolver pré-diabetes e Diabetes Tipo 2. Ironicamente, a própria diabetes é um dos maiores fatores de risco para doenças cardiovasculares.
5. Desregulação Hormonal e Disfunção Sexual
- O colesterol é o principal “tijolo de construção” para as hormonas esteroides do corpo, incluindo a testosterona, o estrogénio, a progesterona e o cortisol.
- A redução artificial e drástica do colesterol pode levar a quedas acentuadas nestas hormonas vitais, resultando em perda de libido, disfunção erétil nos homens, desequilíbrios menstruais nas mulheres e incapacidade de lidar com o stress (devido à falta de cortisol).
6. Outros Efeitos Adversos Sistémicos
- Danos no Fígado: As estatinas podem elevar as enzimas hepáticas, indicando inflamação ou toxicidade no fígado, o que exige monitorização regular em muitos pacientes.
- Cataratas: A diminuição do colesterol está associada a um risco mais elevado de desenvolvimento de cataratas e perda de visão.
- Danos nos nervos (Neuropatia Periférica): Dormência, formigueiro e dor nas mãos e nos pés devido aos danos nas bainhas de mielina dos nervos periféricos.
Referências:
https://www.webmd.com/diabetes/news/20150304/statins-linked-to-raised-risk-of-type-2-diabetes
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